Observatório Trabalhista: Metade da renda das famílias brasileiras é para pagar dívidas, afirma Ciro

Observatório Trabalhista: Metade da renda das famílias brasileiras é para pagar dívidas, afirma Ciro

O vice-presidente nacional do PDT, Ciro Gomes, apresentou, nesta terça-feira (8), a terceira fase do Observatório Trabalhista, com a atualização do terceiro trimestre do governo Bolsonaro. O evento realizado na sede nacional do partido em Brasília, contou com a presença do presidente nacional do partido, Carlos Lupi, e de integrantes da bancada federal.

“Estamos tentando produzir um avanço no debate da política e do desenvolvimento do Brasil”, frisou Ciro, ao destacar o papel do Observatório Trabalhista como uma ferramenta colaborativa, aberta à população, para receber sugestões de indicadores.

Em sua apresentação, Ciro apontou as raízes estruturais da crise que se instalou no País, de acordo com os índices levantados nas áreas da economia, segurança-pública, saúde, educação e, a mais recente, meio ambiente.

Crise econômica
Ao lado dos cerca de 13 milhões de desempregados do País, figura outro indicador igualmente preocupante: uma queda acentuada no número de empregados com carteira de trabalho assinada. Como comparação, Ciro mencionou os números relativos a 2011, quando Carlos Lupi estava à frente do extinto Ministério do Trabalho e Emprego e o número de trabalhadores com carteira assinada chegou a 53 milhões, contra os 36 milhões do atual governo. Número que tem caído progressivamente.

O índice de pessoas inadimplentes, com restrição no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), já atinge 62,7 milhões. De acordo com os dados, 44% da renda das famílias brasileiras está comprometida com o pagamento de dívidas, sendo que 78,6% desse total é referente ao cartão de crédito, onde a taxa de juros é a maior.

“O exército de reserva potencial da violência”, alertou Ciro, ao falar do percentual de 27% dos jovens entre 18 e 24 anos que não têm acesso à educação e nem ao trabalho. Nesse ponto, o pedetista mencionou a ação do narcotráfico, que arregimenta esses jovens ociosos das periferias do País, levando-os para a criminalidade.

Outro grupo que integra a faixa de risco da criminalidade compreende os 23% dos jovens entre 15 e 18 anos, que não têm acesso à educação e, também, não encontram trabalho. Aliás, esse é único índice relativo à educação referente a 2019. Até a presente data, o Ministério da Educação simplesmente omitiu todos os índices deste ano relativos à pasta, o que também foi alvo das críticas contundentes de Ciro e de Lupi.

Precariedade do SUS
A queda progressiva da renda do brasileiro também traz um reflexo dramático na área da saúde. Hoje, 77,6% da população brasileira depende do Sistema Único de Saúde (SUS), dos quais 22% é composta por pessoas que, devido ao agravamento da crise, deixaram de pagar um plano de saúde.

De acordo com Ciro, esses dados demonstram a importância de se valorizar o SUS que, devido à falta de investimentos, tem deixado milhares de pessoas desassistidas devido à precariedade do sistema.

Outro sintoma igualmente grave, decorrente da falta de investimento na saúde, está ligado à imunização contra doenças. “A cobertura vacinal no Brasil está no pior nível da história. Não por acaso, já morreram sete paulistas com sarampo”, lamentou Ciro, que voltou a mencionar o fato de que, quando Bolsonaro assumiu, o Brasil era um país internacionalmente certificado como área livre de sarampo.

“Em 2019, a taxa de vacinação despencou a um nível criminoso. A tríplice, que é contra a coquiluche, difteria e tétano, caiu de 90% para 57%, tudo comparado ao mesmo período. Nós estamos arriscados a poliomielite que está erradicada”, alertou Ciro.

“No meu governo [no Ceará], nós comemoramos a erradicação da poliomielite, que [no atual governo], saiu de 86% para 51%. A meningite de 86% para 53%, as hepatites A e B de 86 para 53%, e o número absoluto de imunizações caiu de 114 milhões, que era praticamente universal, para 32 milhões de pessoa.”

“Isso é um verdadeiro crime, que está puxando de volta a possibilidade de doenças revogadas no Brasil. É um absurdo você cair de 78 para 45% de cobertura vacinal em um país como nosso”, afirmou Ciro.

Confira aqui a íntegra do Observatório Trabalhista atualizado.

 

Ascom Lid/PDT com Ascom PDT Nacional