Artigo: “O protagonismo das cidades e do parlamento no enfrentamento às mudanças climáticas”

Artigo: “O protagonismo das cidades e do parlamento no enfrentamento às mudanças climáticas”

Por Gustavo Fruet*

Cercada de expectativas e inevitáveis polêmicas, teve início esta semana a conferência do Clima (COP-26) em Glasgow, na Escócia.
Os desafios globais são imediatos na tentativa de enfrentarmos a pauta relativa às mudanças climáticas.
É consenso entre cientistas, autoridades ambientais e líderes políticos que providências devem ser tomadas nos governos locais (cidades, estados e países).
Tive a oportunidade de ser prefeito de Curitiba (2013-2016) justamente quando foi realizada a COP-21 em Paris, em 2015.
Enviamos para a França modelos de projetos sustentáveis que implantamos na capital do Paraná.
Na época, conseguimos financiamentos para obras vinculados a compromissos com o meio ambiente.
Também tive a honra de participar de encontro com o Papa Francisco e outros 6 prefeitos brasileiros em 2015 durante o seminário “Escravidão moderna e mudanças climáticas: o compromisso das cidades”.
Ao final do encontro, todos os prefeitos, o Papa e os representantes do Vaticano assinaram um documento em que pediam que as autoridades nacionais ponham a questão ambiental no centro dos debates.
Nós, prefeitos brasileiros, levamos ao Papa uma carta, na qual agradecíamos a iniciativa de sensibilizar o mundo para os problemas relacionados às mudanças climáticas, ao flagelo da pobreza e da exclusão social, às formas atuais de trabalho escravo.
A carta afirmava que os governos locais também deveriam colaborar para reverter a crise climática global e citava os esforços e metas estabelecidas para enfrentar os problemas causados pelo desenvolvimento das cidades, como o consumo de recursos naturais e o aumento de emissões de gases de efeito estufa.
O texto mencionava que as mudanças climáticas pioram a qualidade de vida, especialmente da população mais carente, e que, para superar a vulnerabilidade dos mais pobres, deveríamos adotar políticas públicas de inclusão social.
Os prefeitos ainda pediram que a Organização das Nações Unidas (ONU) reconhecesse a importância dos governos locais na sustentabilidade do mundo e desenvolvimento humano.
No caso de Curitiba, não ficamos apenas no discurso.
À frente da Prefeitura tomamos uma série de medidas para reduzir emissões e preservar o meio ambiente.
Em quatro anos, garantimos a preservação de três vezes mais áreas verdes do que a soma das 4 gestões anteriores.
Entregamos 8 novos parques, implantamos Estações de Sustentabilidade para coleta seletiva do lixo, intensificamos a limpeza dos rios, fomos os primeiros a divulgar a qualidade da água, construímos casas populares com aquecimento solar, adotamos carros elétricos na frota da Prefeitura, veículos elétricos na frota de táxis, testamos ônibus elétricos no transporte público, ciclovias que geram energia limpa e ainda apresentamos proposta de novo modelo de coleta e tratamento do lixo baseado nas tecnologias mais modernas do planeta.
A luta pela preservação do planeta continua no mandato de deputado federal.
Na Câmara, recentemente apresentei projeto para que 30% dos imóveis do programa Casa Verde Amarela venham equipados com fontes de energia limpa.
Também sou autor da proposta que estabelece que os recursos do Fundo Nacional do Meio Ambiente sejam aplicados prioritariamente em projetos de energias renováveis.
São medidas pontuais que se somam aos esforços globais pela sobrevivência do planeta e da vida na forma como conhecemos hoje.

*Deputado federal e ex-prefeito de Curitiba (2013-2016)