PDT vota a favor da intervenção, mas afirma que ação do governo é midiática e politiqueira

PDT vota a favor da intervenção, mas afirma que ação do governo é midiática e politiqueira

Ao declarar o voto do partido a favor do decreto de intervenção federal no Rio de Janeiro, o líder do PDT na Câmara, André Figueiredo (CE), anunciou a preocupação da bancada pedetista em relação à medida do governo. Em nota da bancada, lida pelo líder, os deputados afirmam que “a intervenção é mais uma ação midiática, politiqueira e mesquinha para atender interesses políticos e eleitoreiros, do que para resolver o problema” .

Leia íntegra da Nota da Bancada do PDT na Câmara

A bancada do PDT na Câmara dos Deputados vem a público externar suas mais profundas preocupações com a intervenção federal no Rio de Janeiro, decretada pelo Senhor Presidente da República. A medida extremada e grave não é, nem de longe, a solução para enfrentar a crise de segurança pública daquele estado e de nenhum outro.

Há sim uma grande insatisfação da sociedade brasileira e Fluminense em relação à impotência com que as autoridades têm enfrentado à violência e o banditismo nas grandes cidades. As facções criminosas estão aterrorizando a sociedade ante a desmoralização da Lei e das autoridades do país.

Mas a total negligência do estado nos morros cariocas – seja pela falta de investimentos de saúde, educação, moradia e políticas públicas sociais ou pela absoluta ausência de políticas de inteligência e prevenção da criminalidade –  não será resolvida ou compensada com a simples presença das forças armadas. É um equívoco supor que a militarização e o mero controle territorial a partir apenas da repressão ostensiva vai resolver o problema estrutural que se arrasta há décadas.  Nesse ponto, entendemos que o governo federal deveria dar maior atenção às regiões de fronteira, que têm sido constantemente negligenciadas, se deseja combater com eficiência a violência, não só no Rio de Janeiro, como em todo o Brasil. Milhares de armas de alto calibre e drogas entram no país por meio de nossos quase 17 mil quilômetros de fronteiras terrestres. Se esses dados são de conhecimento público, por que o governo federal não aumenta o uso de tropas nas fronteiras brasileiras, investe em novos equipamentos para tornar mais efetiva a vigilância de nosso território?

Os deputados do PDT afirmam que esta ação de intervenção é mais uma ação midiática, politiqueira e mesquinha para atender interesses políticos e eleitoreiros, do que para resolver o problema. Utilizam-se da angústia da população brasileira em relação a situação de elevada insegurança que mata milhares de brasileiros inocentes, para um interesse casuístico, de busca de popularidade. Mais uma demonstração de quão patético e irresponsável é esse governo. Visivelmente, a intervenção serve de instrumento para abafar a derrota fragorosa do governo na Reforma da Previdência. A maior prova disso é que a intervenção foi decidida e anunciada praticamente durante o feriado de Carnaval e não foi precedida de nenhum estudo ou planejamento conhecido, não obedecendo a nenhum critério técnico e previsão orçamentária.

Não arriscaremos palpites quanto aos resultados. Torcemos para que sejam exitosos os esforços dos servidores da área de segurança pública e dos militares durante o período de intervenção, mas não nos furtamos do alerta à nação sobre seus riscos de insucesso. Votaremos a favor porque reconhecemos o clamor da população do Rio de Janeiro e do Brasil por mais segurança.

Impossível não lembrar do antropólogo Darcy Ribeiro, idealizador dos CIEPs de Brizola no Governo do RJ, que disse na década de 1980: “Se os governadores não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios”.

Infelizmente, o futuro chegou.

 

Ascom Lid/PDT