Especialistas repudiam apologia à ditadura militar e ao autoritarismo

Especialistas repudiam apologia à ditadura militar e ao autoritarismo

Em debate realizado na Comissão de Cultura da Câmara, nesta quarta-feira (16), especialistas repudiaram a apologia ao autoritarismo feita, segundo eles, pelo governo Jair Bolsonaro, e a defesa da ditadura militar ocorrida no Brasil no período de 1964 a 1985, por representantes dos três Poderes.

A audiência pública foi proposta pelo deputado Túlio Gadêlha (PDT-PE), que é relator do Projeto de Lei 980/15 e apensados, para criminalizar a apologia da ditadura militar ou a pregação de novas rupturas institucionais. Ele destacou que o debate diz respeito ao momento atual e que as pessoas não podem usar da liberdade de expressão para defender um regime onde não houve essa liberdade.

“Hoje, por exemplo, um dos gurus do governo, o senhor Olavo de Carvalho, conclamou bolsonaristas para começarem uma campanha por ditadura e por um novo AI-5. Isso é um absurdo”, disse. “A verdade é clara e objetiva: existiu ditadura militar no Brasil. Temos registros, documentos, memórias, comprovações, e o debate que a gente quer travar é sobre as versões dessa verdade e o dano causado à sociedade quando se faz apologia à ditadura militar, à tortura e às comemorações de um golpe que fez com que a população tanto sofresse nesse período”.

Neste ano, o presidente Bolsonaro autorizou as Forças Armadas a celebrarem a data de 31 de março, quando ocorreu o golpe militar de 1964. O governo Bolsonaro não considera que houve ditadura nem golpe.

A presidente da Associação Nacional de História, Márcia Menendes Motta, criticou a proposta do Escola sem Partido, que, segundo ela, intimida professores, e alertou para os riscos atuais de um avanço do autoritarismo no Brasil.

“A gente já está numa ditadura quando vê que professores do Brasil inteiro estão morrendo de medo de falar aquilo que aprenderam para ensinar a esse povo que a ditadura é alguma coisa que a gente não deve desejar”, afirmou ela. E disparou: “Eu fico muito impressionada que esse presidente queira entrar na História dessa forma. Porque a História não vai perdoar. Ele vai morrer como todos nós, e daqui alguns anos vai estar escrito lá que foi o homem que destruiu o pouco que se conseguiu de História no país”.

O historiador Carlos Fico, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, destacou que não basta aprovar uma lei que criminalize quem faz apologia de ditaduras ou de rupturas democráticas. Segundo ele, é necessário que se estabeleça uma data para o dia da memória da ditadura no Brasil, para que se faça uma reflexão sobre o passado. Ele também propôs a digitalização de todos os documentos relativos à ditadura e que se facilite o acesso de toda a população a esses dados.

Segundo a assessoria de Túlio Gadelha, um deputado governista teria o direito de indicar dois nomes para fazer o contraditório às falas dos participantes da audiência contra a ditadura. No entanto, o parlamentar não indicou ninguém. Os deputados governistas também não comparecerem ao debate da Comissão de Cultura.

Ascom Lid./PDT com Ag. Câmara