Debatedores reconhecem importância da Lei de Cotas para acesso de minorias à educação superior

Debatedores reconhecem importância da Lei de Cotas para acesso de minorias à educação superior

Há dez anos era aprovada na Câmara dos Deputados a Lei de Cotas (Lei 12.711/12). Para comemorar essa conquista, a Comissão de Legislação Participativa, a pedido do presidente do colegiado, deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), reuniu representantes de movimentos negros, sociais e indígenas para debater a importância das cotas.

A Lei de garante que cinquenta por cento das matrículas nas universidades federais sejam destinadas a alunos de escolas públicas e beneficia não apenas negros, mas também pardos e indígenas.

Para o representante da Educafro, Fernando Benício, a lei é importante por possibilitar que afrodescendentes possam ter acesso à educação superior. Ele explica que a Educafro tem a missão de colocar o máximo de pessoas negras e pobres nas universidades. Para isso, oferece cursinhos preparatórios para vestibulares e para o Enem, voltados para estudantes da periferia.

“A gente precisou fazer com que esses alunos se sentissem empoderados para entrar nas universidades. Mas como eles iriam entrar na universidade, os alunos pretos da favela, se você tem só uma perna e precisa correr uma maratona com quem tem três, quatro pernas? ”

Para o vice-coordenador das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, a Coiab, Mário Nicácio, mestrando na Universidade de Brasília, a lei possibilitou que mais de 8 mil indígenas entrassem nas universidades brasileiras. No entanto, “as universidades ainda não estão totalmente preparadas para receber os índios. Por isso, a lei de cotas não pode ser homogênea e deve ter uma diversidade para os povos indígenas, já que são, atualmente, 305 povos com 274 línguas diferentes”, observou.

“Não é fácil chegar na universidade porque nós temos uma língua, uma cultura, um modo diferente. E muitas vezes a própria universidade não tem essa preparação para receber os povos indígenas com uma cultura, conhecimento e formação tradicional diferente”, afirma.

Outra preocupação que os debatedores levantaram foi sobre a permanência dos jovens nas universidades. Segundo o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), quase 200 mil jovens deixaram as universidades sem concluir seus cursos nos últimos três anos.

Giomar Teixeira, que é afrodescente e participou do debate, contou como foi sua luta para se manter no ensino superior.

“Eu estudei numa sala com mais de 300 alunos e nós éramos apenas 3 afros. Para me manter na minha primeira faculdade, eu fui motorista de ônibus; muitas vezes eu dormi no bagageiro do ônibus para poder voltar no sábado”, relatou.

Ascom Lid./PDT com Ag. Câmara